Danças

A Dança da Bengala

De origem egípcia, mais precisamente da região de Saaid, a Dança da Bengala ou Bastão, que se baseia na luta marcial conhecida como Tahtib, remonta o antigo cenário em que homens e mulheres utilizavam um cajado, visando agrupar rebanhos, defender-se ou simplesmente auxiliar no equilíbrio de suas caminhadas.
Por tratar-se de um folclore em que sacerdotisas efetuavam posições sagradas, representando o poder dos deuses, as bailarinas geralmente realizam esta dança com um vestido que, embora permita aberturas laterais, cubra o ventre.
Giros verticais, horizontais e transversais são os principais movimentos da bengala, que, em união com batidas de quadris e moção de busto, compõem esta dança, cujas músicas seguem um perfil egípcio, isto é, alegre e com marcações bem específicas - ritmo Said. É um trabalho que exige maleabilidade e completo domínio de corpo da bailarina.



A Dança do Candelabro

A Dança do Candelabro ou Shemadan é muito utilizada em casamentos árabes especialmente porque simboliza a pureza da noiva e o desejo de que a sua vida seja iluminada. Ela acontece durante a Zeffa, famoso cortejo, tradicionalmente egípcio, realizado para levar a prometida até a casa de seu futuro marido, que pode durar vários dias.
Na dança, a bailarina equilibra no alto da cabeça um castiçal, cuja base parece um capacete vazado, com um elástico na parte de trás para que o acessório seja mais bem acomodado.
Ao contrário do que se imagina, a música para esta dança não é necessariamente composta apenas de trechos lentos em que a bailarina ondula seu corpo com movimentações suaves e precisas. Ela também abrange arranjos um pouco mais rápidos em que se podem executar batidas, tremidos e deslocações bruscas; com destaque para os movimentos de chão.

O casamento árabe

Até algumas décadas as festas de casamentos árabes duravam muitos dias, até semanas, mas em razão dos altos custos, hoje é hábito festejar por apenas um dia. É comum os salões de festas no oriente serem compostos por duas salas menores (para casamentos muçulmanos), onde as mulheres festejam de um lado e os homens de outro, nos dois salões ocorrem apresentações de danças típicas e dança do ventre, muita música e comida, pois é um dia muito feliz para as duas famílias. Em algumas regiões há o pagamento de um dote, que muitas vezes é taxado pelo governo para não haver exageros.

Zouba el Kloubatiyya primeira mulher a utilizar um " klob"( candelabro) equilibrado em sua cabeça durante a Zeffa, tradicional procissão que acontece nos casamentos egípcios Shafia el Koptia, a eptica crist, para não se sentir passada para trás usou também o candelabro. Shafia ensinou a av de Nadia Hamdi e sua tia. Nesla el Adel, uma contemporânea dos tempos de Shafia, ainda era viva quando este artigo foi escrito e ocasionalmente se apresentava até mesmo ensinando. Perto de seus noventa anos ainda trazia a energia e satisfação de dançar. Nadia Hamdi é no Egito a diva do "Shemadan" e a ?nica dançarina que foi ensinada dentro da linha tradicional das bailarinas egípcias de candelabro.Nadia foi ensinada desde criança por Zouba e mais tarde formalmente treinada por sua av.

A dança do candelabro como parte da Zeffa egípcia pertence ao início do séc. XX. Antes desta época, a zeffa era liderada por dançarinas e músicos mas a iluminação era fornecida apenas por velas especialmente produzidas para tanto, mediam 3 pés e eram especialmente decoradas para a festa. Outras pessoas participantes da ZEFFA carregavam pequenas lanternas com velas dentro que complementavam a iluminação da procissão. As velas especiais para casamento permanecem como parte da cerimônia até os dias de hoje.

Tradicionalmente a Zeffa acontece de noite, mudando de direção através das ruas da vizinhança da casa dos pais da noiva até a casa de seu noivo que passará a ser sua nova casa. Esta é a mudança oficial da noiva e é liderada por uma dançarina, músicos e cantores, seguidos logo após pela festa de casamento, pelos amigos e a familia.

Existem músicas especiais para estas ocasiões com um ritmo específico conhecido informalmente como batida Zeffa. Esta seria sempre a m?sica apropriada para usar durante a procissão de casamento.

Desde os anos setenta, em função das festas de casamento no Egito terem se tornado mais urbanas e modernizadas, a Zeffa se mudou junto com a festa para os ambientes hoteleiros. No hotel , a Zeffa vai acontecer na escadaria central do hotel indo para o hall da sala de recepção onde as festividades terão lugar. Dentro deste sal?o a procissão circunda todo o ambiente e deposita os noivos em tronos especiais ornamentados com flores num dos cantos da grande sala. Depois da Zeffa terminada, a dançarina ainda fará uso de mais música que pode ser típica para a ocasião ou não, para fazer a noiva se levantar e dançar, depois o noivo, e finalmente o casal é convidado a dançar juntos. A dançarina pode ainda apresentar um solo de candelabro que pode incluir até mesmo uma descida ao chão. Esta é a parte teatral da apresentação usada apenas para entreter os convidados, separada da parte tradicional da Zeffa.

Como alternativa, os noivos podem escolher celebrar sua festa de casamento no nightclub do hotel. O casal seria então reconhecido dentro do público e trazidos pela dançarina para o palco, onde aconteceria a Zeffa. Ela faria com que dançassem juntos, então prosseguiria para sua própria apresentação incluindo o solo de candelabro e o trabalho de chão.

A cerimônia conhecida como Zeffa é tradicionalmente egípcia mas outros casais do Oriente Médio adotaram a mesma como parte de sua celebração de casamento, incorporando-a juntamente com seus rituais.O candelabro é também parte da apresentação teatral e folclórica, representando as antigas tradições representadas em palco. Pode-se ver esta dança representada por Mahmoud Reda e sua troupe que percorreu o mundo mostrando sua arte e a dança egípcia por anos.

Fontes: www.souham.com.br e www.lulusabongi.com.br

 

A Dança da Espada

Existem várias lendas para a origem da Dança da Espada. Uma delas diz que a dança é uma homenagem à deusa guerreira Neit, mãe de Rá, que simbolizava a destruição dos inimigos e a abertura dos caminhos. Outra conta que, na Antigüidade, as mulheres roubavam as espadas dos guardiões do rei para dançar, a fim de mostrar que a cimitarra era muito mais útil artisticamente do que em lutas, que resultava em mortos e feridos.
É possível contrabalançar a espada na cabeça, no peito, na mão, no quadril, na barriga e na coxa. Algumas bailarinas ainda arriscam colocá-la no ombro e até mesmo no calcanhar. Para realizar um giro é bem interessante dar um pequeno toque na espada. E, se o acessório estiver balançando muito, não é errado pará-lo delicadamente com o braço.
Dançar com a espada exige, além de domínio, bastante equilíbrio. E para obter tais pré-requisitos, são necessários muito empenho e dedicação.


Dança do Jarro


A Dança do Jarro também é conhecida como a dança do Rio Nilo. As bailarinas, quando a executam, evidenciam a rotina das beduínas: caminhar até o oásis, onde era possível descansar, conversar com as outras mulheres da tribo, refrescar-se e pegar um pouco de água do rio nos jarros, e retornar à tenda.
Nesta dança, o corpo todo fica coberto, e no rosto (o “shadorr” assim como as beduínas), um véu é preso, possibilitando deixar à mostra somente os olhos. Por este motivo, mais do que habilidade e equilíbrio, também é necessária muita expressão facial.

Dança do Pandeiro

O pandeiro sempre esteve presente nas rodas de dança. Na maioria das vezes, eram as mulheres que o tocavam para que outras delas bailassem. Com a influência da cultura cigana, entretanto, a mulher passou a acompanhar o ritmo da música com o instrumento enquanto dançava, sempre com sentido de comemoração, de alegria e festa.

 

Dança do Punhal

A Dança do Punhal é uma reverência à deusa Selkis, rainha dos escorpiões; e representa a morte, a transformação e o sexo.

 

Dança da Serpente

A serpente é considerada um animal sagrado, símbolo da sabedoria. Antigamente, sacerdotisas dançavam com cobras de metal (não muito raro, em ouro), e soberanas as tinham como bichos de estimação.
A Dança da Serpente demanda um vasto estudo e muito cuidado. A bailarina Nadima Murad é uma das poucas em todo o Brasil e a única no Rio Grande do Sul a realizar tal proeza.


Dança dos Snujs

Os snujs são pequenos címbalos de metal, que eram utilizados nos Festivais dos Deuses pelas sacerdotisas nos antigos Templos, no Egito. Diz-se que este instrumento de percussão, quando tocado, traz vibrações positivas e retira maus fluidos do ambiente. Por essa razão, o snuj era dedicado à Deusa Bast, aquela cujo rosto apresentava feições de gato, que era considerada a grande protetora das dançarinas.
No Marrocos, ao invés de dois pares de snujs para tocar o instrumento, utiliza-se um par numa mão e um só na outra.
Países como a Grécia, a Turquia e a Índia, apesar de não serem de origem árabe, também ostentam a cultura dos snujs.

Dança das Taças

A Dança das Taças faz parte do folclore egípcio. Assim como a Dança do Candelabro, ela também é apresentada especialmente em festas de casamentos, aniversários e batizados, e tem a vida representada pela chama das velas.
Durante a sua execução, sempre com músicas cadenciadas, a bailarina exterioriza sua deusa interior, tornando seu corpo um sagrado e ofertado canal.


Dança dos 7 Véus

O véu é um dos símbolos mais comuns da dança do ventre. Por ser transparente, ele envolve a bailarina em um clima de mistério e magia, principalmente quando ela o utiliza para emoldurar o rosto ou o corpo.
Dizem que a retirada e o cair de cada véu significam o despertar da consciência da mulher.


“O véu definitivamente é o melhor amigo de uma bailarina, sem contar é claro o Derbakista, mas a diferença dos dois é que o véu, se você mantê-lo a uma distância segura e bem tratado, nunca se vingará de você tocando algo que você nunca ouviu, por isso trate seu véu com carinho, deixando-o sempre bem passado e prefumado e conheça-o profundamente.”

Pesquisa de Lina Mansur:

A dança dos sete véus é um dos mais famosos, belos e misteriosos ritos primitivos. Embora muita gente acredite que se trata da mais antiga versão do strip-tease, a dança não tinha um caráter erótico. Não era praticada em ritos de fecundação, mas pelas sacerdotisas dentro dos templos da Deusa Egípcia Ísis. A sacerdotisa oferecia a dança para a Deusa Isis, que dentro dela existe, e lhe da beleza e força.
Essa dança era realizada em homenagem aos mortos. As sacerdotisas, em seus templos, retiravam não só os véus, mas todos os adereços sobre o seu corpo, para simbolizar a sua entrada ao mundo dos mortos sem apego a bens materiais.
A Dança dos Sete Véus pode ser realizada, também, em homenagem à Deusa Babilônica Ishtar ou Astarte, deusa do amor e da fertilidade. Segundo os babilônios, Tamuz, seu amado teria perdido a vida e levado para o reino de Hades, o submundo, e Ishtar, por amor, resolveu ir também para o reino de Hades. Determinada, Ishtar atravessou os sete portais do submundo, e em cada portal deixou um de seus pertences: um véu ou uma jóia (cada um deles representando um de seus sete atributos: beleza, amor, saúde, fertilidade, poder, magia e o domínio sobre as estações do ano). O véu representaria o o que ocultamos dos outros e de nós mesmos. Ao deixar os véus Ishtar revela sua verdade e consegue unir-se a Tamuz.
Mais tarde passou a simbolizar as sete cores do arco-íris, os sete planetas conhecidos na época (que estão representados na dança como possuidores de qualidades e defeitos que influenciam o temperamento das pessoas) e os sete chacras (pontos energéticos do corpo humano). Com isso, a dança passou a ser realizada por bailarinas, que limitavam-se a retirar os véus. A retirada e o cair de cada véu , significam o abrir dos olhos, o cair da venda, que desperta a consciência da mulher. E a evolução espiritual .
Existe também uma outra versão que diz que a Dança dos Sete Véus trata-se de um dança hollywoodiana (Salomé) que foi unida a dança do ventre ganhando fama e se propagando com ela. Entretanto, cabe ressaltar que, falando-se de dança do ventre, não existe verdade e nem tampouco mentira absoluta.
A bailarina se envolve com os sete véus. Os véus podem ser das seguintes cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, lilás, branco. A vestimenta da dança do ventre , embaixo dos sete véus, deve ser preferencialmente de cor clara, suave.
A retirada de cada um dos véus, presos ao corpo da dançarina, representa a dissolução dos aspectos mais nefastos e a exaltação das qualidades pessoais.
O véu vermelho - Marte; sua retirada significa a vitória do amor cósmico e da confiança sobre a agressividade e a paixão;
O véu laranja - Júpiter, que dissolve o impulso dominador e dá vazão ao sentimento de proteção e ajuda ao próximo.
O véu amarelo -Sol, que elimina o orgulho e a vaidade excessiva, trazendo confiança, esperança e alegria;
O véu verde - Mercúrio, que mostra a divisão e a indecisão sendo vencidas pelo equilíbrio entre os opostos;
O Véu azul-claro - Vênus, a qual revela que a dificuldade de expressão foi superada, em prol do bom relacionamento com os entes queridos;
O véu lilás - Saturno, mostra a dissolução do excesso de rigor e seriedade, a conquista da consciência plena e o desenvolvimento da percepção sutil.
O véu branco - Lua ( a união de todas as cores ). A queda do último véu mostra a imaginação transformada em pensamento criativo e pureza interior.
A dança Retira- se cada véu com muita sensualidade, habilidade e naturalidade. Fazendo movimentos ondulatórios, movimentos laterais de cabeça, movimentos rotatórios e ondulatórios com as mãos, movimentos de transe.
A música Deve ter andamento lento e duração longa (aproximadamente 7 a 8 minutos).
A bailarina deve assumir uma personagem: a sacerdotisa em busca da sua verdade. O despertar de sua consciência, de sua força e poder, dentro do mais perfeito equilíbrio.

Derbake


O Derbake ou Table, como é conhecido no Egito, é um instrumento de percussão utilizado para promover o ritmo básico da dança do ventre. Queridinho das bailarinas, é ele que, na maioria dos casos, determina os movimentos efetuados por elas.
Apesar de aparentemente simples, tocar bem o Derbake exige, além do conhecimento dos ritmos e da variação dos sons produzidos por ele, grande habilidade e destreza.

Dicas para você acompanhar um solo de Derbake:
• Normalmente, cada frase é reproduzida quatro vezes, mas pode variar de duas a oito repetições;
• Tente usar o corpo inteiro, e não só o quadril. Poses, olhares e charmes, além de agradarem bastante o público ocidental, aumentam suas variações, o que deixa a dança mais rica;
• Os tremidos devem ser usados apenas no Rush ou dedilhado;
• Alterne a magnitude de seus movimentos. Assim como o músico toca forte, moderado e suave, a dança deve acompanhar igualmente tal intensidade;
• Lembre-se: amplitude e velocidade são inversamente proporcionais. Logo, quanto maior amplitude, menor velocidade; quanto menor amplitude, maior velocidade;
• Para não perder o fôlego, o solo deve ser ritmado e marcado, acompanhado com a maior precisão possível - evite mexer-se enlouquecida e incessantemente, pois os movimentos ficam confusos, sem definição visual e, às vezes, podem até ficar descompassados;
• Siga as pausas da música com interrupção do movimento;
Estudar, ouvir e treinar sempre são fatores indispensáveis para uma boa apresentação.

Khalige

Khalige é uma dança típica dos países do Golfo Pérsico. Nela, os cabelos representam um papel fundamental, uma vez que o corpo fica praticamente todo coberto por uma grande túnica.

 

Nadima Murad- Qualidade em Dança do Ventre
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